7 passos para promover a Diversidade: 1. Como promover a Diversidade e a Igualdade

Estamos falando em diversidade, inclusão, environmental, social, and governance (ESG), boas práticas e até mesmo em ética. Meu único objetivo é que você, provavelmente pessoa não negra, compreenda quais são as melhores práticas para que seu escritório ou empresa seja um estabelecimento diverso, equânime, produtivo e muito lucrativo.

Para que isso ocorra, se faz imprescindível que sua empresa tenha uma paleta completa de cores. Você precisa que pessoas com as mais variadas características estejam ao seu lado pensando em como colocar um ótimo produto ou serviço no mercado. Esse nível de engajamento é totalmente possível, mas para isso, você, gestor, CEO, terá que proporcionar um ambiente saudável, acolhedor, agradável e muito seguro para os seus colaboradores.

Para otimizarmos o tempo e facilitarmos o entendimento, iremos nos fundamentar na irretocável orientação do atual ministro de direitos humanos, professor doutor Silvio Almeida, em seu clássico livro Racismo estrutural.

Existem muitos caminhos para se alcançar a diversidade, mas percebemos na proposta do livro Racismo estrutural um enorme diferencial que vale a pena nos debruçarmos e ouvirmos todos os harmônicos dados no trecho que iremos analisar.

1a) “promover a igualdade e a diversidade em suas relações internas e com o público externo – por exemplo, na publicidade;” (Almeida, 2019, p. 32).

Toda empresa que esteja genuinamente comprometida em “promover a igualdade e a diversidade em suas relações internas e com o público externo” deverá ter certo que todos, desde o cargo mais baixo até os sócios majoritários do escritório, precisam estar empenhados em promover a igualdade.

Vamos esquadrinhar esse parágrafo para melhor compreendê-lo. “Promover a igualdade”, notem que não foi um acaso que foi usada a palavra promoção, segundo o dicionário Infopédia: “Promover – pro.mo.ver – prumu’ver. verbo transitivo – 1. fazer avançar; 2. dar impulso a; diligenciar; propagar; difundir; 3. originar; fomentar; desenvolver; 4. instituir; 5. elevar a posto ou a dignidade superior. 6. requerer, propondo a execução de certos atos.”.

Promover está intimamente ligado com a elevação, impulsionamento ou dar início. A igualdade racial, diversidade sexual e de gênero, ou qualquer outra deve ser promovida, sob pena de fracasso. Se não for através de promoção, a igualdade jamais será alcançada, porque os pilares das desigualdades estão muito bem posicionados na atual sociedade, impedindo assim que a igualdade tenha qualquer chance de sobrevivência sem a ajuda da promoção.

Dessarte, a igualdade racial precisa ser promovida, colocada acima, senão de todos, de muitos outros valores e atividades, precisa ser elevada ao máximo para obter o sucesso almejado. A promoção precisar ser, inclusive, financeira.

Olhando para o quadro de funcionários dos escritórios de advocacia brasileiros e estrangeiros, nota-se o quanto o valor igualdade é deixado de lado. É impossível que um escritório majoritariamente de homens, cis, brancos tenha o valor igualdade em alto nível de prioridades. Um escritório que se porte assim, facilmente observa-se, não tem muito apreço pela igualdade.

Diante disso, ainda que possam discordar que a igualdade tenha valor máximo, não podem colocá-la como última na fila de valores da empresa. Nosso entendimento é que esse valor deveria encabeçar a fila de prioridades, mas caso não esteja, que pelo menos esteja entre os três primeiros.

Promover a diversidade, de igual modo, de acordo com o dicionário Infopédia, diversidade é “Diversidade – di.ver.si.da.de – dedivərsi’dad(ə). nome feminino – 1. qualidade do que é diverso; 2. variedade; 3. dissemelhança; diferença”, em suma, é a variedade, o diverso.

Como explicamos anteriormente, quando nos refinamos na igualdade, a diversidade também precisa ser promovida, elevada, colocada em local de estaque na lista de prioridades. Como acontece com a igualdade, a diversidade também não conseguirá se sobressair em uma empresa sem a ajuda da promoção. Vale dizer que é totalmente impossível que uma empresa seja igualitária, mas que não seja diversa, é por isso que igualdade e diversidade precisam ser promovidas.

Sem a promoção desses dois princípios, você estará indo na contramão das empresas de sucesso e de responsabilidade social.

Agora vejam que a promoção da igualdade e da diversidade precisa ser inserida, utilizada nas relações internas.

Quando o autor fala nas relações internas, ele se refere aos funcionários do escritório ou instituição. Os funcionários precisam ser tratados em pé de igualdade, precisa ser garantido um espaço de fala seguro, o funcionário não pode ter medo de represálias depois de expor suas críticas ou posicionamentos. Apesar de muitos gestores baterem no peito por terem um quadro de funcionários diversos, na maioria das vezes, as pessoas que lá trabalham o fazem com medo de expor o que realmente pensam, na verdade estão lá apenas pelo salário, mas estão adoecidas psicologicamente, com medo, abatidas, represadas. A gestão muitas vezes não vê, porque desconhece as nuanças do racismo, do machismo e das diversas formas de opressão. Por isso, garantir a promoção da igualdade e da diversidade internamente é imprescindível em qualquer empresa que deseje trabalhar a diversidade e a inclusão.

Promover a igualdade e a diversidade em suas relações com o público externo parece ser um ato simples, mas acreditem, não é tão simples assim. Poderíamos elencar dezenas de situações, partiremos do interno para o externo, os sócios, funcionários e colaboradores precisam sentir que são tratados igualmente ou até mesmo melhor que o público externo, sejam eles compradores ou fornecedores. Geralmente a empresa coloca o cliente no ponto mais elevado da relação e esquece a importância do funcionário, afinal, é quem faz o produto ou serviço, ele é tão importante quanto quem compra, sem um bom produto não existe cliente, mas sem cliente pode haver um bom produto. Dessarte, cuide da relação interna e depois da externa.

Mas falar da diversidade com o público externo também é falar da igualdade com colaboradores, parceiros, financiadores, amigos e outros sujeitos externos à empresa. Você precisa ter colaboradores diversos, é preciso ter diversidade para fora, externamente, é preciso contratar de empresas diversas, e com diversidade na escolha das empresas que se faz negócio, ter parceiros diversos, comprar e vender para fornecedores diversos, é preciso buscar por empresas que também sejam diversas, fornecer seus produtos para compradores diversos, adaptar seu produto para clientes diversos. Você já pensou no produto para cabelos ou para pele? Por muito tempo as empresas produziam tais produtos apenas para um tipo de pele ou um tipo de cabelo, roupas apenas para um tipo físico, carros apenas para determinado grupo de pessoas. Então é preciso que a empresa diversa esteja pensando em vender seus produtos para todes, é preciso adaptar seu produto ou serviço para uma gama infinita de pessoas.

Nos escritórios de advocacia não pode ser diferente, você precisa adequar os seus serviços aos clientes negros e afrodescendentes, sua recepcionista não pode se comportar de forma racista, sua apresentação não pode conter apenas pessoas brancas, seja nas imagens ou na diretoria. Vale frisar, seu serviço de limpeza e a “tia do cafezinho” não podem ser invariavelmente de pessoas negras, essa é a primeira coisa que um cliente negro irá observar sobre sua bandeira da diversidade.

A primeira pergunta que deve fazer um gestor que pense em um produto diverso é: uma pessoa portadora das mais diversas limitações temporárias ou definitivas conseguirá usar meu produto? Um estrangeiro se sentirá confortável com meu produto? Se um ser humano não se sentir confortável com seu produto, provavelmente seu produto não seja um produto diverso.

O escritório diverso com um ambiente saudável requer que todos os seus espaços, atuações e posicionamentos sejam pensados para todes, principalmente as pessoas negras.

Por fim, como refinamento deste nosso encontro, um ambiente diverso e acolhedor requer que os objetos escolhidos na decoração daquele ambiente também sejam diversos, representem a população que desejamos que alcançar, ou seja, temos que colocar as representações culturais dos grupos que queremos representar. Talvez esse não seja o ponto mais difícil, mas certamente é o mais ignorado pelas empresas e, principalmente, pelos escritórios de advocacia, que são, visivelmente, influenciados pela cultura europeia.

*Texto publicado na Revista do Advogado AASP | Edição 160 | Dez |2023.

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