A MATERNIDADE E A CARREIRA PROFISSIONAL

Mulheres de sucesso, carreira, negócios… basta falarmos sobre estes temas que naturalmente o fantasma maternidade vêm à tona nas mesas de debates e é um paradoxo a evolução tecnológica e da Inteligência Artificial altamente sofisticada, capaz de expressar sentimentos e empatia e a ausência de respostas concretas ou mesmo um manual que possa ser seguido e assertivo sobre como conduzir uma carreira promissora e ser mãe. E neste mês de maio, claro que não fugiríamos de um tema tão espinhoso.

As distorções de empregabilidade feminina na alta gestão e a diferença salarial entre homens e mulheres, que ainda persiste em quase 23%, de acordo com as pesquisas de 2023 do IBGE, ganham ares ainda mais sombrios quando correlacionamos os problemas enfrentados na maternidade. De acordo com a FGV, após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença maternidade saem do mercado de trabalho. Neste levantamento, constatou-se que dentre 247 mil mães, 50% foram demitidas aproximadamente, dois anos após a licença maternidade.  Nesta mesma linha de pesquisa, mais de 70% das mulheres são questionadas em processos seletivos sobre a sua pretensão em relação à maternidade.

Mais do que leis e políticas públicas, precisamos mesmo de um reset no mindset social e profissional, sobretudo, no mercado jurídico dos escritórios de advocacia em que algumas dessas proteções inexistem pela figura associativa dos profissionais, e são extremamente importantes e inegociáveis, eu diria, como a licença maternidade, por exemplo. A adoção das políticas de maternidade além de necessárias, traz um ambiente de acolhimento e segurança às advogadas. E não podemos tapar os olhos para  a possibilidade de um efeito reverso no mercado de trabalho que deixa de contratar profissionais excelentes em determinada faixa etária, para não enfrentar as gestações e licenças ou a preocupação da própria puérpera, que opta por voltar ao trabalho o mais rapidamente possível, temendo perder a sua posição.

Diante de tantos dados estatísticos, naturalmente afloram as questões emocionais, pois já dizia Freud: “o medo é, portanto, por um lado, expectativa do trauma, por outro lado, uma repetição atenuada dele”. Ser ou não ser mãe, mãe solo ou me caso, mãe de um, dois ou três, quanto mais filhos, maiores as dificuldades, adequação financeira versus status materno, o melhor momento da vida para isso e se este momento coincide com o tal relógio biológico, conseguirei ser uma profissional de sucesso e uma mãe presente, quais escolhas terei que fazer e ficaria horas aqui discorrendo sobre os infinitos questionamentos.

Como mãe de 04 rapazes e avó do menino mais lindo do mundo, lamento não trazer as esperadas respostas. Sim, fui mãe e executiva, tive medo, muito medo, fiz escolhas difíceis entre abandonar uma reunião de conselho e ir ao recital da escola, já viajei a trabalho com filhos doentes. Já senti muita culpa, me responsabilizei por não estar tão inserida na rotina deles e me orgulhei também de ser presente dando o melhor tempo de qualidade que eu tinha, quando eu tinha. Já chorei escondido e na frente deles, me desesperei quando a babá faltava e quando a febre subia. Mas também ouvi gritos de manheeeeeeeeeee quando a porta se abria ao voltar para casa, sorrisos largos e braços abertos ao meu encontro e sim, nestes momentos me sentia a CEO da minha vida. Nas tentativas de erros e acertos, sempre muito permeadas pela enorme vontade em fazer dar muito certo, cheguei até aqui e sobrevivi, como tantas de nós! Amo meus filhos e a linda carreira profissional que construí. E se eu pudesse dar apenas uma dica de ouro, seria: tenha uma rede de apoio! Marido, pais, amigas dispostas a um vinho regado a longos desabafos, grupos de mães e coletivos profissionais que minimamente compartilharão experiências não menos que idênticas às suas. Que como mulher, possamos sempre escolher ser o que quisermos! Inclusive, profissionais realizadas e mães felizes.


Juliana Albano é cofundadora do coletivo SER A CEO, Head SP do escritório PMR Advogados, mentora na Alia Mentoring, mãe de 4 filhos e avó do Dudu.

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