Escolhas difíceis [mas necessárias] de se fazer na liderança jurídica

Por Andreia Andreatta

Assumir uma posição de liderança em uma empresa com mais de 35 anos de atuação no mercado jurídico proporcionou-me uma perspectiva profunda sobre minha trajetória. Desde os primeiros passos na carreira, nossas experiências moldam não apenas nossa identidade profissional, mas também nossa abordagem à gestão e liderança de equipes. É tentador apegar-se a práticas confortáveis, criando hábitos que limitam nossa visão e nos impedem de enfrentar desafios que exigem sair da zona de conforto. Mas surge a questão: é realmente necessário desbravar territórios desconhecidos e sair da zona de conforto? No contexto do Direito, uma das profissões mais antigas do mundo, este cenário não é diferente. Profissionais que atuam em escritórios, lidando diariamente com casos, muitas vezes não percebem que a advocacia já não é mais sinônimo de pastas, papéis e estantes de documentos. Escolhas difíceis são necessárias, incluindo mudanças de mindset, percepção sobre a profissão e desapego às velhas práticas. Por isso, destaco aqui as escolhas que considero difíceis, mas essenciais para uma liderança inovadora e eficiente.

Escolha Mudar

Optar pela mudança figura entre os desafios mais significativos na carreira de qualquer líder, especialmente no cenário jurídico. Enfrentar essa escolha resulta em revisitar e questionar processos arraigados. A escolha de mudar levou-me a repensar nossas estratégias de comunicação e relacionamento com o cliente. Aprendi a ver as ferramentas tecnológicas não como rivais, mas como aliadas capazes de amplificar a qualidade e o alcance do nosso trabalho. Cada mudança traz consigo desafios, desde a resistência interna até a necessidade de requalificação da equipe. Mas, encarar a escolha de mudar é abraçar a oportunidade de reinventar práticas, reimaginar o papel da tecnologia na advocacia e liderar com visão de futuro.

Escolha Tomada de Decisão Consciente

Ao longo dos últimos anos, a importância dos dados cresceu exponencialmente, tornando a abordagem intuitiva insustentável. Substituímos o “achismo” por um método decisório mais robusto, apoiado em análises detalhadas e informações concretas.

Escolha Compartilhar Função com a Tecnologia

Na era da transformação digital, a integração da tecnologia nas práticas jurídicas é uma necessidade premente. A escolha de compartilhar funções com a tecnologia pode parecer intimidante para muitos líderes, especialmente na área do Direito, onde a tradição muitas vezes é valorizada. No entanto, reconhecer o potencial da tecnologia para otimizar processos, aumentar a eficiência e melhorar os resultados é fundamental para manter-se relevante e competitivo. Adotar soluções tecnológicas significa delegar tarefas rotineiras e repetitivas aos sistemas automatizados, permitindo que os profissionais jurídicos se concentrem em atividades que exigem análise crítica e tomada de decisão. Além disso, a tecnologia oferece acesso a dados e informações em tempo real, capacitando os líderes a tomar decisões mais informadas e estratégicas. Embora possa haver resistência inicial por parte da equipe, é essencial comunicar de maneira eficaz os benefícios da integração da tecnologia e fornecer o suporte necessário para garantir uma transição suave. Ao abraçar essa escolha, os líderes jurídicos podem posicionar suas organizações na vanguarda da inovação e da eficiência operacional.

Escolha Voltar Atrás

A capacidade de reconhecer e corrigir erros é uma marca de um verdadeiro líder. A escolha de voltar atrás pode ser particularmente desafiadora, pois muitas vezes é vista como um sinal de fraqueza ou incompetência. No entanto, é importante entender que a tomada de decisões nem sempre é perfeita e que a flexibilidade é essencial para o progresso. Quando uma decisão se revela equivocada ou não produz os resultados esperados, é imperativo reconhecer o erro e estar disposto a fazer ajustes. Isso pode envolver reverter uma política, admitir um julgamento errôneo ou até mesmo pedir desculpas a colegas ou clientes afetados. Embora possa ser desconfortável, demonstrar humildade e responsabilidade nessas situações é fundamental para manter a confiança e o respeito da equipe e dos stakeholders. A escolha de voltar atrás não é um sinal de fraqueza, mas sim de maturidade e integridade. Ao reconhecer e aprender com os erros, os líderes podem fortalecer suas habilidades de tomada de decisão e criar um ambiente de trabalho mais receptivo à inovação e ao crescimento.

Escolha se desafiar

A escolha de se desafiar é fundamental para o desenvolvimento pessoal e profissional contínuo. Como líderes, é fácil cair na armadilha da complacência e contentar-se com o status quo. No entanto, para alcançar todo o seu potencial e liderar com eficácia, é necessário buscar constantemente novos desafios e oportunidades de crescimento. Isso pode envolver assumir projetos ambiciosos, buscar novas áreas de especialização ou até mesmo assumir funções de liderança em diferentes contextos. Ao se desafiar, os líderes jurídicos expandem seus horizontes, desenvolvem novas habilidades e adquirem uma compreensão mais ampla do mundo ao seu redor. Além disso, a escolha de se desafiar envolve estar aberto ao feedback construtivo e buscar continuamente formas de melhorar. Isso requer humildade e autoconsciência, mas os benefícios a longo prazo são inestimáveis. Assim, ao enfrentar escolhas difíceis na liderança do mercado jurídico, é crucial abraçar a mudança, adotar uma abordagem baseada em dados, compartilhar funções com a tecnologia, estar disposto a voltar atrás quando necessário e desafiar-se constantemente. Somente assim podemos liderar com eficácia e inovação, preparando nossas equipes e organizações para os desafios deste mercado tão competitivo.

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