Legal n’ Ops: Transformando conexões em resultados

Reinventando a colaboração no Jurídico

Que bom ter você aqui na “Legal n’ Ops”, um espaço regular cedido pela Fenalaw, onde discutirei com você temas como colaboração, poder das comunidades, a importância da boa comunicação, revisão de processos internos, eficiência no Jurídico e mais! Esta coluna é dedicada a todas aquelas pessoas que buscam não apenas acompanhar, mas liderar a transformação no nosso mercado.

A coluna surge como uma resposta à crescente complexidade das operações jurídicas no nosso país. Em um mundo onde a velocidade da informação e a pressão por resultados são imensas, torna-se essencial que o Jurídico adote uma postura de resolução de problemas e de viabilização de negócios. A missão é clara: desmistificar o Legal Operations, tornando-o acessível e aplicável.

Legal Operations, ou Legal Ops, como é mais conhecido, é definido pela Marina Toledo como “a maneira que você facilita o Direito dentro da organização”. No mesmo sentido, Gustavo Pinhão Coelho geralmente comenta que todo Jurídico de empresa já é praticamente um Legal Ops. E não posso deixar de citar Paulo Samico, que diz que “Legal Operations é a porta de entrada para a inovação”.

Pessoalmente entendo que a área de Ops ajuda a definir processos jurídico-comerciais que possibilitam o Jurídico a servir os seus clientes de forma mais efetiva e eficaz. De forma mais prática, isso pode se desdobrar em diversas iniciativas a partir do mapeamento de dores e sugestão de soluções, como por exemplo:

  • Muitos contratos para elaborar e a empresa não vai contratar mais advogados? Pense em um fluxo com autonomia para as áreas internas gerarem manualmente contratos a partir de minutas pré-estabelecidas pelo Jurídico, ou até de forma automatizada por alguma ferramenta de legaltech.
  • Cansado de receber consultas repetitivas que não agregam valor intelectual para o Jurídico? Pense em criar uma FAQ (Perguntas Frequentes, em português) em uma planilha, adicionar dicas em uma intranet ou até mesmo realizar a contratação de uma ferramenta de chatbot – com Inteligência Artificial ou não.
  • Alto volume no contencioso e você não tem a gestão sob o que os escritórios de advocacia estão escrevendo nas peças em nome da sua empresa? Pense em criar um minutário de teses e compartilhar com os escritórios para seguirem o seu ‘tom de voz’ nas peças, ou até mesmo em automatizar os documentos com alguma legaltech e compartilhar com os escritórios apenas a responsabilidade de responder o formulário de perguntas sobre a petição inicial (no caso de automação de uma contestação, por exemplo).

Entendeu? Para uma mesma dor, há diversas soluções, com ou sem tecnologia. Não é um quebra cabeças, onde só há um jeito de montar e chegar na resposta certa. Não há resposta certa! As operações jurídicas dependem das operações do seu negócio. E agora você deve estar me perguntando… Ok, mas… Como começar?

Para atuar com Legal Ops e poder resolver problemas jurídico-comerciais, e não apenas cortar custos, é necessário que você tenha um perfil colaborativo e interdisciplinar. Você não precisa necessariamente ter OAB, tampouco ter feito Direito. As maiores referências internacionais fizeram Administração e Economia. Algumas referências nacionais fizeram Tecnologia da Informação, Física, Engenharia… Então você, se for formado em Direito ou for “advogado com OAB e tudo”, venha de peito aberto. Se prepare para colaborar, não apenas entre os seus, mas com pessoas com contextos diversos.

A colaboração é a alma da inovação (Até rima!). Ao promover a troca de ideias e experiências, podemos superar os desafios mais complexos que enfrentamos – e podemos ir além, podemos falar sobre o impacto da colaboração e das comunidades inclusive na nossa felicidade.

Um estudo de Harvard indica que os empregos mais solitários também são os mais infelizes. Quando se requer pouca interação humana e não há oportunidade para construir relações significativas com as pessoas… elas não são felizes. E neste artigo da The Harvard Gazette, aponta ainda que “as relações estreitas (…) são o que mantém as pessoas felizes ao longo da vida”.

A construção de uma comunidade sólida é essencial também para o crescimento exponencial da inovação na prática do Direito e com todos esses conceitos e essas leituras, é preciso dar alguns passos para trás e observar duas grandes referências sobre prática e inovação na prática do Direito: CLOC (Corporate Legal Operations Consortium) e ACC (Association of Corporate Counsel), especialmente por essas duas estarem no Brasil agora em 2024.

O CLOC é uma comunidade global dedicada a transformar os negócios e a prática do Direito. No país, possui sua representação oficial por meio do CLOC Brasil, a primeira e única comunidade de Legal Operations presente por aqui. É completamente dedicada à Legal Ops (independentemente se atua em Jurídico Interno, Escritório, Legaltech, Consultoria, etc.) e apresenta a mandala de competências da profissão (Core 12). Já a ACC, no país a partir do seu mais novo capítulo local, ACC Brasil, é uma associação global que possui como objetivo valorizar a figura do advogado corporativo, por meio de estímulos a uma atuação criativa, inovadora, representativa, diversa e propensa ao fomento de novos negócios. O mercado de Legal Ops está aquecido e em constante evolução.

No Brasil, essa área tem ganhado destaque e reconhecimento, impactando na mudança de paradigma, onde o nosso país se alinha às melhores práticas internacionais, buscando uma gestão jurídica estratégica e alinhada aos negócios. Isso se traduz em uma demanda por profissionais qualificados e por uma cultura que valorize a inovação. Este movimento não é uma moda passageira, mas uma evolução necessária. Lembre-se: Legal Ops deixou de ser exceção, agora é regra. À medida que o mundo dos negócios se torna mais complexo e interconectado, a área estratégica de operações emerge como uma disciplina fundamental para a sustentabilidade e o crescimento das organizações.

“Legal n’ Ops” é mais do que uma coluna… É uma oportunidade para inspirar e capacitar profissionais jurídicos a serem agentes de mudança. Te convido a vir comigo e com essas Comunidades nessa caminhada de descobertas e reinvenções. Juntos, podemos moldar um futuro onde o Direito é sinônimo de parceria e colaboração. Afinal de contas, quem gosta de construir e fomentar comunidades e parcerias vai entender: nunca deve ser sobre uma pessoa só. É sobre o coletivo e sobre tudo que estamos cocriando juntos!

*A imagem usada nesta publicação foi feita em parceria com a ferramenta de Inteligência Artificial DALL-E.

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