Legal Operations são a chave da transformação digital no meio jurídico

Novas tecnologias são essenciais para elevar a eficiência de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, com destaque para a área de Legal Operations na transformação digital

Por Marcelo Natale, Paulo Silva e Daniela Pacheco*

A corrente onda de transformação nos negócios, impulsionada pela evolução de tecnologias e novas demandas de mercado, já atingiu diversos setores – e passa a exigir, também, adaptações por parte de escritórios de advocacia e dos departamentos jurídicos das organizações. A adoção dessas tecnologias desempenha um papel fundamental na modernização, na eficiência e na obtenção de resultados melhores e consistentes.

Neste cenário, a área de operações legais, também conhecida como Legal Operations ou Legal Operate é essencial na operacionalização desta transformação digital que, além da economia de tempo e recursos, possibilita melhor adequação às necessidades de uma organização e rápida adaptação a um ambiente de negócios em constante evolução, onde a tecnologia já não é mais ferramenta opcional, mas a base de muitos modelos de negócio.

Para que a adesão a essa nova realidade seja bem-sucedida, é essencial superar obstáculos de comunicação que hoje permeiam os espaços entre departamentos jurídicos e demais áreas corporativas. Este é um dos desafios que a prática de Legal Operations busca resolver, aprimorando a eficácia na troca de informações e desenvolvendo uma perspectiva estratégica que otimiza a integração de pessoas, processos e tecnologia.

Há uma série de etapas nesse caminho que, ao final, devem resultar na implementação de uma gestão jurídica mais robusta e sistêmica, buscando o constante alinhamento estratégico com as demais áreas da companhia, no caso de departamentos jurídicos, com seus clientes e de escritórios de advocacia. Esse processo abrange diversos tópicos além do conhecimento técnico jurídico, que incluem ciência de dados, automação de documentos, gestão financeira e de fornecedores, gestão de projetos e utilização de chatbots. A lista não acaba aqui, uma vez que, nesta esteira, novas ferramentas e abordagens que tornam a prática do Direito mais produtiva, acessível e conectada vem surgindo.

Tema muito referido nos últimos meses, o uso crescente de Inteligência Artificial (IA) no setor jurídico é tendência irreversível trazendo ganhos de eficiência, mas também dúvidas e desafios. Seu uso requer planejamento criterioso e ponderado, levando em conta uma série de aspectos. Equilibrar a automação das atividades, mas preservando a tomada de decisões por profissionais é imprescindível para o êxito no uso dessa ferramenta. Estes desafios só podem ser superados por equipes de operações legais multidisciplinares, vocacionadas e com acesso a um hub de ferramentas integráveis e orquestráveis, por meio de plataformas, e não mais pelo uso de soluções isoladas e utilizadas de maneira não estratégica.

Funcionando como área que “constrói pontes”, as equipes de operações legais promovem a colaboração e o diálogo entre profissionais do Direito e demais especialistas em suporte administrativo e tecnologia. Combinando esses elementos, pode-se criar um ecossistema e uma linguagem renovada, abrangendo cada vez mais espaços no mercado e oferecendo um serviço de operações de suporte de maior qualidade e eficiência, culminado nos objetivos de eficiência e alta performance almejados. Diante disso, a Deloitte, lançou o Legal Operate Program, uma série de encontros periódicos com especialistas e líderes do mercado para discutir melhores práticas em operações legais, abordando questões estratégicas e relacionadas às transformações nesse campo.

O Legal Operate Program será uma oportunidade para debater temas importantes, tais como as vantagens e desvantagens do uso da Inteligência Artificial no campo jurídico, a ciência de dados como a principal ferramenta para auxiliar na coleta e automação de processos, e, por fim, a aplicação da tecnologia aos serviços jurídicos e como LawTechs se inserem neste ecossistema. Fato é que a aplicação das diversas tecnologia existentes, mudou a maneira como os profissionais do meio jurídico atuam e realizam seus serviços e tem seus resultados medidos. O futuro é promissor para todos aqueles que estiverem preparados para a revolução tecnológica em curso e a Deloitte é sua aliada nesta jornada.

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Marcelo NataleSócio de Tech for Legal

Marcelo tem mais de 30 anos de experiência profissional nas seguintes áreas: fiscal internacional, reestruturação societária, preços de transferência, fusões e aquisições, due diligences, investimentos de entrada e saída, reestruturação e planejamento. E possui uma profunda experiência em diferentes indústrias como manufatura, produtos de consumo, serviços, tecnologia e IP. Marcelo foi o líder da Brazilian Desk em Nova York durante o período de agosto de 2009 a julho de 2012.

Marcelo é graduado em economia pela Universidade Estadual de Campinas -UNICAMP (1990); Pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (1993) ; graduado em direito pela Universidade Paulista (2002); Ex-Professor de planejamento tributário internacional do MBA de Comércio Exterior do MBA da FIA-USP e de planejamento tributário do LLM em Direito Tributário do IBMEC/Insper.

Paulo SilvaGerente Sênior de Tech For Legal

Advogado com especialização em Direito Civil e do Consumidor e MBA em Gestão Empresarial,  controller jurídico e técnico em administração. Possui extensões nas áreas contratuais e bancárias, tendo atuado por 20 anos em áreas de operações e comerciais no mercado financeiro. Atua desde 2013 junto a escritórios e departamentos jurídicos nas áreas de Controladoria Jurídica e Legal Operations, sendo responsável pela estruturação e gestão destas áreas.

Sua experiência profissional abrange bancos, financeiras, escritórios de advocacia full service, empresas de telecomunicações, transmissão de energia e e-commerce.

É professor em cursos livres de Controladoria jurídica e Legal Operations e de pós-graduação na PUC Minas Gerais e PUC Paraná. Membro do CLOC (Corporate Legal Operations Consortium) e cofundador da CLOB (Comunidade Legal Operations Brasil).

Daniela PachecoGerente de Tech for Legal

Advogada, especialista em Gestão Estratégica de Escritórios e Controladoria Jurídica, com foco em análise de dados, inovação e gerenciamento de projetos. Possui ampla experiência em implementação de controladorias jurídicas em escritórios de advocacia full-service e gerenciando de equipes, tendo atuado em diversos escritórios e seus clientes, otimizando fluxos, padronizando rotinas e construindo automações de processos gerenciáveis.

Atua como professora monitora do Laboratório de Inovação da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, ministrando aulas relacionadas à Ciências de Dados, Inteligência Artificial e Jurimetria.

É professora de Controladoria Jurídica na Conecte-se e, também, participa das Comissões de Direito Digital e Inteligência Artificial e Gestão Estratégica de Escritórios.

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