Vale ou não a pena fazer intercâmbio durante a faculdade?

Vale ou não a pena fazer intercâmbio durante a faculdade?

Quem dera fosse uma resposta simples e que servisse para todos os alunos!

Que esta coluna possa inspirar vocês na tomada de decisão. Para isto, comentarei sobre minha própria experiência de intercâmbio antes, durante e depois!

Antes de entrar na faculdade, já pensava na ideia de realizar um intercâmbio. Inclusive, um dos motivos pelos quais eu quis muito entrar na PUC/SP, foi a ampla lista de convênio com as faculdades internacionais para esta finalidade. Porém, conforme o curso foi avançando, esta vontade de intercâmbio foi diminuindo e o motivo era muito simples: eu não queria perder os professores excelentes que me davam aula e, tampouco, perder a minha turma, que era muito unida.

Em meados de 2018, eu estava indecisa sobre qual área do Direito eu deveria seguir no futuro. Foi aí que tive o insight de que, talvez, a realização de um intercâmbio, distanciando-me do Brasil e do meu dia-a-dia, permitir-me-ia refletir com mais tranquilidade sobre as minhas dúvidas e preocupações. Afinal, ser feliz trabalhando no que se gosta é o que todos esperamos, não é mesmo?
Eu precisava deste momento só meu!

Quais os passos que devemos seguir para realizar um intercâmbio?

Primeiro: escolha da faculdade internacional! Não é uma decisão fácil. A PUC tinha uma lista bem ampla de faculdades internacionais conveniadas. As que tinham inglês ou português como primeira língua foram as que selecionei. Fui verificando uma por uma e vendo em qual área elas eram mais reconhecidas. Decidi-me pela Universidade de Coimbra.

Por quê? Primeiro, por ser uma das faculdades mais tradicionais de Direito do mundo e muito renomada. Segundo, por ser uma faculdade muito voltada ao Direito Público, área que eu gostava imensamente. Terceiro, por ter em sua grade matérias diferentes das que eu tinha, o que possibilitaria um aprendizado mais rico.

Parece fácil quando escrevo tudo assim desta forma, porém, demorei algum tempo para tomar esta decisão, que aconteceu após conversar com diversas pessoas sobre as faculdades
oferecidas pela PUC e depois de conversar com pessoas que tinham feito intercâmbio para a Universidade de Coimbra especificamente.

Segundo passo: inscrever-se e se preparar para o processo seletivo. A Universidade de Coimbra era muito concorrida, mas era minha primeira opção. A PUC abria a possibilidade de escolher outras faculdades como segunda e terceira opções, caso não passasse na primeira.

Terceiro passo: enfrentar o processo seletivo com o envio de diversos documentos, entrevistas, cartas de recomendação, etc e esperar o resultado!

Após a ansiedade natural do resultado, fui aprovada para realizar o intercâmbio pela PUC! E adivinhem… na Universidade de Coimbra!

Foi a primeira batalha vencida. A próxima batalha seria convencer meus pais de que estava tomando a decisão correta. Esta parte envolveu também lidar com a parte emocional deles. Afinal, nunca havia morado sozinha e tão longe de casa. Convencimento feito, parti para organizar a parte prática da ida: procurar moradias em Coimbra pela internet, o que é algo muito difícil quando você não conhece o local, não se sabe se a moradia é realmente tudo aquilo exposto na internet. Como em Coimbra eu faria tudo a pé, a distância moradia-Universidade também era algo a ser considerado. Também não poderia me esquecer de que precisava programar quais seriam meus custos de alimentação (em euros), pesquisar planos de saúde internacionais, preencher os formulários para a Universidade, escolher as disciplinas a serem cursadas, etc. Enfim, tudo bem burocrático, mas altamente necessário.

Finalmente, cheguei em Coimbra em janeiro de 2019 para o intercâmbio de 6 meses de duração. Meu critério principal de escolha das disciplinas que eu iria cursar foi o seguinte: extrair o máximo de conhecimento que eu apenas conseguiria estando lá. Para isto, escolhi disciplinas que eu não teria na PUC. Desta forma, sentia que o intercâmbio valeria realmente a pena.

Assim, acabei cursando quatro disciplinas: Direito do Trabalho (tinha um foco muito grande em contratos esportivos, algo que eu não veria na faculdade no Brasil); Direito público luso-brasileiro; Direito Processual Penal (cursei esta matéria por conta da professora, que era uma ex-ministra do Tribunal Constitucional de Portugal); e Direito da Informática (que não teria no Brasil).

Acredito que tenha feito uma boa escolha ao decidir as disciplinas que iria cursar e todas elas, de alguma forma, foram-me úteis aqui no Brasil posteriormente.

Além do ambiente acadêmico diferenciado, o intercâmbio abriu meus olhos em muitos aspectos. Aprendi a viver sozinha em um ambiente totalmente novo e sem conhecer ninguém. Os desafios não foram poucos, mas conheci novos amigos e superei diversos obstáculos:do sotaque do português de Portugal, que tive que me acostumar, até o entendimento do sistema de notas, provas e mesmo da cultura local.

Termino respondendo ao primeiro questionamento desta coluna: intercâmbio vale mesmo a pena? Sim, vale! Recomendo a todos um intercâmbio. Com certeza, os aprendizados que o intercâmbio te fornece não são facilmente adquiridos no seu dia-a-dia, em sua zona de conforto. Ainda posso afirmar, com toda certeza, que, para mim, os aprendizados não foram somente acadêmicos, mas também pessoais.

Por fim, o mais importante: o intercâmbio me permitiu tomar a importante decisão do meu futuro profissional! Porém, isto é história para outra coluna!!!

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