De acordo com pesquisa da OAB-SP em parceria com a Trybe, 62% dos escritórios de advocacia e empresas privadas usam inteligência artificial generativa diariamente. Entre os usos comuns destacam-se a criação, revisão e resumo de documentos jurídicos, além de pesquisas de doutrina, legislações e jurisprudência. Ainda segundo o mesmo relatório, 56% desse grupo buscou algum tipo de capacitação para empregar a tecnologia no trabalho, o que reforça o avanço consistente da IA generativa no setor jurídico.
Nesse cenário, o preparo para trabalhar com inteligência artificial no Direito pode ser analisado a partir de duas perspectivas complementares. A primeira está relacionada à integração da ferramenta à rotina profissional. Já a segunda envolve o uso da IA como apoio ao desenvolvimento técnico, explorando seu potencial como espaço de treino, análise e aprimoramento das habilidades jurídicas, conforme veremos a seguir.
Como aprender a usar a IA na rotina jurídica
- Invista em capacitações sobre IA aplicada ao Direito
Cursos, programas de capacitação e formações específicas ajudam a criar uma base sólida para o uso da IA no contexto jurídico. Diferentemente de conteúdos genéricos, esse tipo de capacitação aborda casos práticos, limitações da tecnologia e boas práticas alinhadas à realidade de escritórios e departamentos jurídicos.
Um exemplo é o curso IA na Prática para Advogados, da plataforma Trybe, que propõe o aprofundamento em técnicas e ferramentas de IA aplicadas ao contexto jurídico, com foco em prática e aprendizado progressivo. A ideia é permitir que o profissional estude no próprio ritmo, com o apoio de especialistas em Direito e Tecnologia, explorando ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot, Gamma e outras já presentes na rotina de muitos escritórios.
Além da Trybe, plataformas como Alura, IBM, Fundação Bradesco e iniciativas do Governo Federal também disponibilizam cursos voltados à aprendizagem da inteligência artificial.
- Participe de webinars, workshops e aulas gratuitas
Webinars, workshops e aulas abertas são opções acessíveis para quem deseja se aproximar da inteligência artificial de forma gradual. Esses formatos permitem contato direto com especialistas, apresentam exemplos de uso em diferentes contextos e ajudam a visualizar como a tecnologia pode ser incorporada à rotina jurídica.
Esses espaços também favorecem a troca de experiências e o esclarecimento de dúvidas, especialmente para profissionais que ainda não se sentem confortáveis em testar a ferramenta sozinhos. Ao acompanhar demonstrações ao vivo e casos comentados, o aprendizado tende a ser mais concreto.
Outra dica para acompanhar é o curso virtual e gratuito sobre inteligência artificial, desenvolvido pela Exame. Transmitido ao vivo e com duração de duas horas, o treinamento apresenta as principais ferramentas de IA que profissionais de diferentes áreas precisam conhecer, destacando como elas podem ser utilizadas para otimizar tarefas no trabalho. Iniciativas como essa funcionam como porta de entrada para o tema e ajudam a reduzir barreiras iniciais no contato com a tecnologia.
Como usar a IA para apoiar a prática e o desenvolvimento profissional
- Simule casos e cenários jurídicos
A IA pode ser utilizada como ambiente de simulação, permitindo testar estratégias, estruturar teses e explorar diferentes desdobramentos de um caso. Esse exercício ajuda a identificar fragilidades na argumentação e a ampliar o repertório jurídico, especialmente em contextos de formação e treinamento.
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- Solicite feedback para aprimorar escrita, lógica e clareza jurídica
Ao submeter textos, argumentos ou linhas de raciocínio à IA, é possível obter apontamentos sobre estrutura, coerência e clareza. Esse uso contribui para o desenvolvimento da escrita jurídica e do pensamento lógico, desde que o conteúdo seja sempre revisado de forma crítica pelo profissional.
A IA deve ser usada como parte da estratégia
O impacto da inteligência artificial no ambiente jurídico depende diretamente do lugar que ela ocupa dentro da organização. Quando utilizada de forma isolada ou desconectada dos fluxos de trabalho, seu potencial se dilui. Já quando inserida na estratégia, a IA passa a dialogar com processos, apoiar equipes e contribuir para decisões mais bem fundamentadas.
Nesse contexto, preparar profissionais para trabalhar com IA significa alinhar expectativas, definir objetivos claros e estabelecer critérios de uso coerentes com a atuação jurídica. A tecnologia pode apoiar análises e ampliar repertórios, desde que bem integrada à rotina e orientada por decisões humanas.
Uso responsável da IA
A incorporação da inteligência artificial às rotinas jurídicas exige cautela. Embora a ferramenta contribua para agilizar tarefas, seus resultados devem ser adotados com senso crítico. A verificação das respostas em fontes confiáveis continua sendo uma etapa indispensável de qualquer trabalho, inclusive o jurídico.
Também é fundamental atenção aos vieses e às limitações da tecnologia. Modelos de IA podem reproduzir distorções, apresentar interpretações imprecisas ou gerar informações que não encontram respaldo jurídico. Por isso, o uso responsável passa pela leitura atenta e validação humana constante para garantir que a ferramenta atue como apoio qualificado.


