Origem e Evolução do ESG

ESG

A discussão sobre ESG está presente hoje em inúmeros foros, mas poucos conhecem como nasceu esse termo e quais foram as motivações iniciais.

ESG apareceu pela primeira vez em  2005, com o lançamento do memorando “Who cares Wins”, uma iniciativa conjunta das Nações Unidas e das instituições financeiras de diferentes países, que derivou na publicação de um conjunto de recomendações da indústria financeira para integrar da melhor forma possível, matérias ambientais, sociais e de governança na análise, administração da carteira e na corretagem de valores mobiliários. A iniciativa referida nasceu do Escritório do Pacto Global da Nações Unidas, em trabalho conjunto com parceiros como o Governo suíço e a International Finance Corporation.  Com o engajamento das principais empresas e organizações financeiras o foco foi posto em ajudar na integração de questões ambientais, sociais e de governança na análise de investimentos, processos e tomada de decisão. A conferência, do mesmo nome, realizada em Zurique, em agosto de 2005, reuniu executivos seniores de todo o espectro financeiro e foi um passo fundamental neste esforço[1].

 “Who Cares Wins“ reuniu inversores institucionais, gestores de ativos, analistas de pesquisa buy-side e sell-side, consultores globais, assim como órgãos governamentais e reguladores para examinar o papel dos fatores impulsionadores de valor ambiental, social e de governança (ESG) na gestão de ativos e pesquisa financeira. Houve um notável grau de concordância entre os participantes de que os fatores ESG desempenham um papel importante no contexto de investimento de longo prazo[2].

Em 2011 o Sustainability Accountant Stardars Board (SASB) é lançado. Sua missão foi padronizar a contabilidade e as medições de sustentabilidade em 77 indústrias. “Estabelecer e melhorar os padrões de divulgação específicos do setor em tópicos ambientais, sociais e de governança financeiramente relevantes que facilitem a comunicação entre empresas e investidores sobre informações úteis para decisões” é o objetivo na própria visão da SASB[3].

Na Convenção das Nações Unidas de 2015, nasce, dentre outros[4],  o Acordo de Paris e, na Assembleia Geral das Nações Unidas desse mesmo ano, criam se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

Os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) constituem um conjunto de estândares para as operações de uma empresa que os inversores com consciência social utilizam para identificar potenciais investimentos. Os critérios ambientaisconsideram como a empresa se desempenha em relação à natureza. Já, os critérios sociaisexaminam como a empresa gere as suas relações com seus colaboradores, fornecedores, clientes e com as comunidades onde ela opera, dentre outros stakeholders. Finalmente, a governançase preocupa coma liderança de uma empresa, a remuneração dos executivos, as auditorias, os controles internos y os direitos dos acionistas.

No Brasil, diversas normativas apontam à adoção dessa prática. Por exemplo, a Resolução BCB 139, de setembro de 2021 do Banco Central do Brasil que dispõe sobre a divulgação do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas e a Resolução 59, dezembro de 2021 da CVM.

A B3 acabou de fechar uma consulta pública sobre a proposta de anexar práticas ESG ao “Regulamento para Listagem de Emissores e Admissão à Negociação de Valores Mobiliários”. Esse regulamento permite às empresas evidenciarem ao mercado a adoção dos critérios estabelecidos na norma ou ter de explicar a falta de adoção deles.

Embora com grande espaço para melhorar a legislação e as práticas das empresas, o movimento chegou para ficar como uma forma da empresa se responsabilizar pelo enorme impacto que ela provoca nas três frentes do ESG.


[1] https://www.scribd.com/fullscreen/16876744?access_key=key-mfg3d0usaiuaob4taki

[2] https://www.ifc.org/wps/wcm/connect/topics_ext_content/ifc_external_corporate_site/sustainability-at-ifc/publications/publications_report_whocareswins2005__wci__1319576590784#:~:text=The%20Who%20Cares%20Wins%20conference,in%20asset%20management%20and%20financial

[3] https://www.sasb.org/about/

[4] Também foram criados o Sendai Framework for Disaster Risk Reduction e o Addis Ababa Action Agenda on Financing for Development.

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