Por que falar de felicidade é tão importante e o que ela tem a ver com as metodologias ágeis?
As pessoas “não querem ser parte de um processo, querem fazer parte de algo maior do que elas”.
Inúmeras pesquisas são postas à disposição todos os dias, nos alertando e nos guiando a respeito de um elemento fundamental e ouso dizer, direito fundamental, que é a felicidade!
A ousadia na afirmativa perpassa pelo tamanho de sua importância e assim, em 20 de março de 2013, nasce o dia internacional da felicidade trazido à tona pela Organização das Nações Unidas (ONU) e no discurso do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, ”quando contribuímos para o bem comum, enriquece-nos a nós próprios. A compaixão promove a felicidade e ajudará a construir o futuro que queremos.”
Por entender a importância da felicidade, muitos países, trazem a felicidade incluída em suas declarações de direitos em suas Constituições, a exemplo, cite-se China, Cuba, Portugal, França, Coreia do Sul. Porém, no Brasil, a declaração da felicidade (ou da busca da felicidade) como direito fundamental, não é encontrada de forma taxativa na Constituição Federal de 1988, sendo alvo, inclusive, de alguns projetos de emenda constitucional, como a PEC 19/2019, apelidada de PEC da Felicidade, a PEC 513/2010 e ADI nº 4275.
Não obstante a isso, em recentes julgados do Supremo Tribunal Federal, é possível, perceber a felicidade como direito fundamental, mesmo que descrito e extraído implicitamente, também, na CF/88.
De certo, a felicidade pode ser expressa em todos os âmbitos, privados ou públicos, pessoais ou coletivos, em sua vida social, pessoal, no trabalho ou na família.
A felicidade no trabalho é uma necessidade das antigas gerações, mas, almejadas em maior intensidade, pelas novas. Estas, anseiam, cada vez mais, por propósitos: vislumbram a felicidade onde estão e por tudo o que fazem e não só são escolhidos nos processos seletivos, como também, escolhem as empresas para trabalhar, onde exercerão a sua expertise e onde passarão a maior parte do tempo de suas vidas.
E estão errados? Entendo que não!
Como disse acima, as pessoas “não querem ser parte de um processo, querem fazer parte de algo maior do que elas”.
Nessa seara e vislumbrado o direito a felicidade como um direito fundamental, qual a relação entre a felicidade no trabalho e metodologias ágeis?
Para responder a essa pergunta, primeiro, cito algumas pesquisas postas à disposição, como dados trazidos pela Survey Monkey, Gallup, Harvard Business Review e Leaders league.
De certo, a felicidade é um elemento fundamental na vida das pessoas e dos trabalhadores em geral e principalmente, entre as novas gerações.
O resultado das pesquisas nos traz muitos nortes! É alarmante confirmar uma realidade que já tínhamos conhecimento e enquanto líderes, esses números nos indicam uma direção.
A Survey Monkey aponta que 36,52% dos profissionais estão infelizes com o trabalho que realizam e, 64,24% gostariam de fazer algo diferente do que fazem hoje para serem mais felizes.
O que fazer para mudar essa realidade? A pesquisa da Gallup e da HBR, descritas acima, nos ajuda a encontrar as respostas. Vamos lá?
A Gallup realizou um estudo que aponta que funcionários felizes, tem 50% menos acidentes laborais e Harvard Business Review revelou, ainda, que colaboradores satisfeitos são 31% mais produtivos, 85% mais eficientes e 300% mais inovadores.
A análise das pesquisas apontam que funcionários satisfeitos são muito mais produtivos , eficientes, criativos e inovadores que os insatisfeitos. Vamos investir na felicidade dentro do ambiente organizacional!
Como dito por Eric Ries, autor de startup enxuta,”há pilares na gestão como numa pirâmide: Na base, a responsabilidade, seguida do processo, da cultura e das pessoas, no topo.”
Na mesma linha, recente reportagem da Revista Exame traz a notícia de que desde julho, a segunda maior cervejeira (Heineken) se juntou ao Google, Airbnb e Amazon e resolveu medir a felicidade dos seus funcionários. Na reportagem, fica claro que ” todas essas organizações bebem do conceito criado pela empresa dinamarquesa Woohoo Partnership, que em 2003, desenvolveu uma metodologia para desenvolver a satisfação dos funcionários com a crença do impacto disso sobre os negócios.”
Se a felicidade das pessoas impacta no negócio, acredito que a forma de trabalhar está diretamente relacionado a essa felicidade.
“Na pesquisa realizada pela Leaders League, 57,5% dos respondentes afirmaram que trabalham mais de 50h por semana – em 21,3% dos casos, a jornada semanal supera as 60h, o que daria uma média de mais de 12h de trabalho diárias, descontados os fins de semana. Para 70,2% do total de participantes, a carga horária é excessiva – algo que 95,7% consideram uma prática glamourizada na advocacia. Em 2020, houve mais de 576 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, o que configura recorde absoluto.”
Para além das pesquisas, como as metodologias ágeis têm impacto em tudo isso?
As metodologias ágeis nos ensinam a trabalhar em colaboração, colocando as pessoas no topo do processo, valorizando-as e se interessando verdadeiramente com o que pensam, falam e como podem contribuir no ambiente organizacional. Assim, com alinhamento entre os membros da equipe, transparência, comunicação clara, efetiva, assertiva e, objetivos bem definidos, transformam as relações e impactam não só no ambiente organizacional, mas, nas pessoas e no seu bem estar.
Dessa forma, as metodologias ágeis contribuem na construção de um clima organizacional saudável, funcionários mais felizes, mais envolvidos, mais produtivos, refletindo no baixo turnover ou absenteísmo. As pessoas que trabalham em uma organização que os valoriza, em primeiro lugar, e que inclui as pessoas como seres pertencentes a mesma, face a confiança e autonomia que os concede, faz com que as pessoas estejam além de “ser parte de um processo”, mas, os colocam para “fazer parte de algo maior do que elas”.
A agilidade traz inúmeros benefícios, e entre eles, transparência, feedback continuo, comunicação ativa, entrega de valor constante o aumento do bem estar das pessoas no ambiente de trabalho, em que o líder sai da posição hierárquica e como líder servil, ao lado das pessoas, dá a elas a importância que devem ter, trabalhando uma cultura positiva e criando uma rede de apoio, beneficia os resultados, expande as habilidades, aumenta a criatividade, o bem estar e a felicidade das pessoas.
Se você chegou até este ponto e não está experimentando felicidade em seu trabalho, é importante saber que isso é uma realidade compartilhada por quase 90% dos brasileiros. No entanto, é possível encontrar maneiras de transformar essa situação e dar um novo significado à sua jornada profissional. Para mim, uma parte fundamental desse processo de transformação reside na forma como a gestão é conduzida, pois desempenha um papel crucial na busca pela felicidade no trabalho. Portanto, a atenção dedicada à gestão é essencial para alcançar esse objetivo.
As metodologias ágeis enfatizam a colaboração, autonomia e feedback constante, elementos fundamentais para promover ambientes de trabalho não apenas mais eficazes, mas também mais propícios à felicidade e ao bem-estar dos colaboradores. Ao encorajar equipes a trabalhar de forma colaborativa e autônoma, as metodologias ágeis não só aumentam a satisfação no trabalho, mas também fomentam um senso de propósito e realização pessoal entre os membros da equipe. Esse ambiente positivo não apenas melhora a produtividade e a qualidade do trabalho, mas também fortalece os laços dentro da equipe, criando um ciclo virtuoso de felicidade e sucesso organizacional.
https://pt.surveymonkey.com/mp/why-having-happy-employees-mattershttps://www.mundorh.com.br/90-dos-brasileiros-estao-infelizes-no-trabalho
https://www.mundorh.com.br/90-dos-brasileiros-estao-infelizes-no-trabalho/
https://pt.surveymonkey.com/mp/take-a-tour
https://www.leadersleague.com/pt/news/serie-especial-burnout-no-mercado-juridico-parte-1