Tendências de mercado que vão impactar o jurídico em 2026

O ano de 2026 se desenha como um período importante para o setor jurídico, marcado pela continuidade de transformações que já vinham se consolidando. Entender esse cenário é fundamental para adaptar processos e fortalecer a atuação jurídica em um ambiente cada vez mais dinâmico.

A seguir, apresentamos os principais movimentos do mercado que devem influenciar o jurídico ao longo de 2026.

IA como parte da estratégia

Uma pesquisa realizada pela Amcham Brasil mostra que 59% das empresas já tratam a inteligência artificial como prioridade. Ainda assim, o uso da tecnologia segue concentrado em iniciativas pontuais, o que ajuda a explicar por que, mesmo com 84% das empresas utilizando IA, 61% relatam pouco ou nenhum impacto nos resultados.

No jurídico, esse cenário indica que o desafio não está na adoção em si, mas na forma como a IA é incorporada à estratégia corporativa. Sem integração entre sistemas, dados estruturados e equipes capacitadas, a tecnologia tende a ser utilizada apenas como ferramenta de apoio, sem gerar mudanças relevantes na tomada de decisão.

Para que a IA produza efeitos concretos, é necessário conectá-la aos objetivos do negócio e aos processos jurídicos do dia a dia, envolvendo desde a leitura de dados até a revisão de fluxos e prioridades.

Profissionais multidisciplinares

A transformação do jurídico também impacta diretamente o perfil dos profissionais. Em 2026, habilidades que extrapolam o conhecimento técnico passam a ser cada vez mais valorizadas. Competências em áreas como finanças e contabilidade aparecem como diferencial, especialmente em contextos nos quais o jurídico precisa dialogar com decisões estratégicas e impactos econômicos.

Além disso, a fluência em dados ganha espaço na rotina jurídica, seja para acompanhar indicadores, analisar volumes de demandas ou apoiar decisões mais informadas. Habilidades de negociação e comunicação também se destacam, sobretudo em ambientes que exigem atuação colaborativa.

Esse movimento reforça uma mudança importante, já que o advogado deixa de atuar de forma isolada e passa a ocupar uma posição mais integrada ao negócio. Como consequência, cresce a necessidade de desenvolvimento contínuo e de modelos de liderança que valorizem aprendizado, engajamento e retenção de talentos dentro dos departamentos jurídicos.

Experiência do cliente em alta

Mesmo não sendo um tema novo, a experiência do cliente segue como prioridade para 46,9% das empresas, ainda segundo dados da Amcham Brasil. Esse número indica que o assunto permanece relevante porque ainda representa um desafio para muitas organizações.

Na prática, melhorar a experiência do cliente exige alinhamento entre processos e comunicação, algo que nem sempre acompanha as mudanças no ambiente corporativo. À medida que as empresas revisam seus modelos de atuação, garantir clareza e previsibilidade nas interações continua sendo um ponto de atenção.

Para o jurídico, esse movimento reforça a necessidade de revisar a forma como a área se relaciona com clientes internos e externos. Prazos e linguagem, por exemplo, influenciam diretamente a percepção de valor do serviço jurídico e a confiança na atuação da área.

Transformações nos modelos de negócio

Neste ano, a discussão sobre modelos de negócio se intensifica como resposta a um ambiente que exige adaptação constante. Empresas passam a revisar estruturas, fluxos de decisão e formas de atuação para manter competitividade em um cenário mais instável.

Esse movimento não ocorre de forma isolada. A adoção de novas tecnologias, as mudanças no comportamento dos clientes e a pressão por eficiência levam as organizações a testar formatos mais flexíveis, sem perder de vista a sustentabilidade da operação. O desafio está em avançar com ajustes contínuos, evitando rupturas que comprometam a consistência do negócio.

Para o jurídico, essas transformações trazem impactos diretos. Novos modelos exigem leitura mais estratégica dos riscos, maior integração com outras áreas e participação mais próxima das decisões que moldam a operação. Nesse contexto, o jurídico deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a contribuir para a viabilidade e a evolução do negócio no longo prazo.

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