O crescimento das redes sociais transformou profundamente a forma como pessoas e empresas se relacionam com o público. Se antes a exposição estava restrita a veículos tradicionais, hoje qualquer comentário ou postagem pode ganhar proporções gigantescas em questão de horas. Essa nova realidade trouxe oportunidades de visibilidade e vendas, mas também riscos jurídicos que exigem dos advogados atualização constante e preparo para lidar com crises digitais.
Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2023 mostrou que sete em cada dez pequenos negócios brasileiros possuem perfis em redes sociais, sendo o Instagram a plataforma mais utilizada. Outro levantamento feito pela Nuvemshop, revelou que 59,5% dessas empresas utilizaram as redes sociais para promover seus negócios. [2] Esses números evidenciam que, além das grandes marcas e figuras públicas, pequenos negócios e profissionais liberais também podem ver sua reputação e receita comprometidas por um simples comentário negativo ou por ataques virtuais coordenados.
O impacto jurídico desse cenário já é visível. Entre 2011 e 2025, foram ajuizadas mais de 51 mil ações judiciais contra redes sociais no Brasil, segundo estudo da Predictus, o maior banco de dados judiciais do país. O Facebook concentrou 97% desses processos, seguido por TikTok e X (antigo Twitter). Em média, foram 3,7 mil ações por ano, e em 73% dos casos, os autores obtiveram decisões favoráveis. Além disso, o Supremo Tribunal Federal decidiu recentemente que plataformas digitais podem ser responsabilizadas por publicações criminosas de seus usuários, mesmo sem ordem judicial prévia, reforçando a necessidade de uma atuação especializada dos advogados.
Nesse contexto, o papel do advogado se expande. A gestão da reputação digital passa a ser parte integrante da advocacia, exigindo atuação tanto preventiva quanto reativa. Difamações, fake news e ataques virtuais se tornaram comuns, e cabe ao profissional jurídico orientar os clientes sobre boas práticas de exposição, além de acionar medidas legais para remoção de conteúdos prejudiciais e reparação de danos. A proteção da privacidade também ganha relevância; a Lei Geral de Proteção de Dados trouxe novos parâmetros, mas a realidade das redes sociais constantemente desafia seus limites, uma vez que muitas vezes a exposição voluntária dos clientes entra em conflito com a proteção de dados pessoais.
Outro ponto crucial é a adaptação dos contratos. Lives, podcasts e campanhas digitais exigem cláusulas específicas de uso de imagem e voz, além da previsão de direitos autorais e da validade de acordos firmados em plataformas virtuais. Da mesma forma, influenciadores, artistas e empresas que produzem conteúdo online precisam de suporte jurídico para proteger suas criações contra plágio e uso indevido, o que reforça a importância da atuação preventiva em propriedade intelectual.
A cibersegurança também se tornou um tema central. Com o aumento de ataques hackers e vazamentos de informações, cresce a judicialização desses conflitos. Inserir cláusulas de segurança e responsabilidade em contratos é uma forma de mitigar riscos e proteger clientes contra prejuízos financeiros e reputacionais. Para acompanhar esse cenário, os advogados precisam investir em capacitação em Direito Digital e Proteção de Dados, incorporar ferramentas tecnológicas de monitoramento e adotar práticas de legal design que tornem contratos e políticas mais acessíveis e compreensíveis.
Hoje, a vida digital dos clientes — sejam pessoas físicas ou jurídicas — é inseparável de sua identidade e reputação. Ignorar esse fato significa abrir espaço para riscos que podem ser devastadores. Atualizar-se para lidar com os desafios da hiperexposição não é mais uma opção: é requisito de relevância e sobrevivência na advocacia contemporânea.


