A IA já entrou no escritório. A questão é por qual porta

Durante alguns anos, a discussão sobre inteligência artificial na advocacia foi se ela entraria na rotina. Entrou. O Future of Professionals 2026, da Thomson Reuters, ouviu 1.816 profissionais em 62 países e encontrou 74% usando ferramentas de IA várias vezes por semana, sendo que 44% recorrem a elas várias vezes ao dia. A adoção deixou de ser a métrica interessante.

A métrica interessante é outra: 91% dizem que suas organizações entregam menos do que a tecnologia permitiria. Quase todo mundo usa, e quase todo mundo acha que está desperdiçando. Esse é o problema de 2026, e ele não se resolve comprando mais ferramenta.

Um terceiro número do mesmo estudo ajuda a entender por quê. Cerca de 34% dos profissionais usam ferramentas de IA não aprovadas pela organização, a chamada Shadow AI. Entre os que avaliam que a própria organização se move devagar nesse tema, o índice sobe para 41%.

Aqui vai uma opinião que costuma ser impopular em comitê de segurança: Shadow AI é, na maioria dos casos, sintoma e não causa. O advogado que cola uma cláusula em uma ferramenta pública não está sendo negligente por esporte. Está resolvendo um problema que a instituição não resolveu para ele. Política de proibição sem alternativa equivalente não elimina o comportamento, apenas o tira do campo de visão de quem responde pelo risco. E, no jurídico, o material em jogo é sigiloso: contratos, teses, dados pessoais, estratégia de litígio.

A conclusão prática é menos glamourosa do que o debate costuma sugerir: o gargalo saiu do modelo e foi para a operação. Ferramenta genérica responde rápido. O que a advocacia precisa é de resposta ancorada em fonte verificável, com rastro de origem e um ponto claro de validação humana. Isso é menos uma questão de qual IA e mais de como o trabalho está desenhado: de onde vem o documento, quem confere, o que fica registrado e o que acontece quando a resposta está errada.

Há ainda um dado que costuma passar despercebido: 78% dos clientes consideram essencial o ganho de qualidade viabilizado por IA, mas apenas 6% dizem recebê-lo de forma consistente. A distância entre esses dois números é a oportunidade de mercado dos próximos anos. E ela não pertence a quem adotou primeiro, e sim a quem conseguiu transformar adoção em resultado que o cliente percebe.

Nada disso muda o essencial: a responsabilidade técnica continua sendo do advogado. O que muda é que ela precisa ser auditável. Uma peça revisada com

apoio de IA e assinada por um profissional exige que alguém consiga reconstruir, depois, de onde saiu cada afirmação. Rastreabilidade deixou de ser refinamento e virou pré-requisito.

Minha leitura, depois de duas décadas acompanhando tecnologia no mercado jurídico, é que os próximos dois anos vão separar dois grupos. O primeiro seguirá medindo maturidade pela quantidade de ferramentas contratadas. O segundo vai medir por quanto do trabalho jurídico passou a acontecer dentro de um fluxo controlado, com fonte, com registro e com responsável definido.

O segundo grupo não é necessariamente o mais tecnológico. É o que decidiu por onde a IA entra, antes que ela entre sozinha.

Conheça a Preâmbulo IA, inteligência artificial desenvolvida para o trabalho real da advocacia.

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR DE: