Preposto despreparado: o erro invisível que pode custar caro às empresas na Justiça do Trabalho

Poucas figuras do processo trabalhista recebem tão pouca atenção quanto o preposto e, ao mesmo tempo, poucas carregam um risco tão desproporcional ao tamanho da tarefa. Enviar à audiência um profissional despreparado, deslocado às pressas do RH ou de outra área, pode parecer uma decisão operacional menor. Na prática, é uma aposta: uma resposta imprecisa ou um desconhecimento dos fatos da causa pode gerar confissão ficta e transformar uma reclamação de valor baixo em uma condenação muito maior, sem chance de defesa. Com a chegada das audiências telepresenciais e o padrão mais rigoroso imposto pela reforma trabalhista, essa improvisação ficou ainda mais exposta.

Para entender por que a formação de prepostos virou um ponto crítico de gestão de risco, e não apenas um detalhe logístico, conversamos com a Dra. Lucyanna Lima Lopes, CEO e Fundadora da Preppo. Na entrevista a seguir, ela explica por que os modelos internos de treinamento costumam falhar, detalha os riscos concretos de uma audiência malconduzida, analisa o impacto das audiências virtuais na rotina jurídica das empresas e projeta um futuro de representação corporativa em juízo cada vez mais híbrido, mesclando tecnologia e preparo humano.

  1. Como as empresas lidam hoje com a formação dos prepostos?

Na prática, a maioria das empresas ainda improvisa. O preposto é tratado como quem comparece e não como quem representa. Empresas de grande porte e com alto volume de audiências costumam deslocar profissionais do RH, do jurídico ou de outras áreas, ou terceirizar para escritórios que enviam quem estiver disponível. O treinamento, quando existe, é pontual: uma conversa na véspera, um repasse de boca em boca, sem padrão, sem atualização e sem avaliação de desempenho. E há um agravante pouco discutido: quando esse profissional sai da empresa, o conhecimento vai embora junto. A empresa reinveste o mesmo custo a cada desligamento, sem nunca construir uma capacidade permanente. É como montar um time que se desfaz a cada temporada.

  1. Quais os riscos de enviar um preposto sem treinamento?

O risco mais grave tem nome: confissão. Quando o preposto não conhece os fatos da causa, a jurisprudência aplica a pena de confissão — tudo que o autor alegou é considerado verdadeiro. Uma única audiência mal conduzida pode transformar uma reclamação pequena em uma condenação muito maior, sem chance de defesa. E os riscos não param aí: declarações imprecisas viram prova contra a empresa; ausência ou atraso gera revelia, custas e honorários. A conta que parece ‘economia’ no treinamento aparece multiplicada no passivo trabalhista e na reputação da empresa perante aquele juízo.

  1. Por que o treinamento interno pontual costuma falhar?

A modelo interno falha em três pontos: falta padronização (cada preposto aprende o que o colega ensinou, com lacunas diferentes), falta preparo comportamental e vontade (geralmente prepostos internos não têm essa função na empresa e estão na audiência pensando no trabalho que está ficando de lado) e falta ciclo de feedback (quase ninguém audita como o preposto se saiu na audiência). Sem medição, não há melhora. É o mesmo que treinar um time sem nunca assistir aos jogos.

  1. Audiências virtuais e pós-reforma: o que mudou?

A audiência telepresencial mudou o jogo. Hoje o preposto precisa dominar tecnologia — testar a plataforma, garantir conexão, conhecer os documentos dos processos e ter postura em câmera. As audiências virtuais são rápidas e encadeadas: não há espaço para improviso. Um problema de conexão pode gerar confissão. A reforma trabalhista também elevou o padrão: o preposto precisa conhecer os fatos da causa, e a Justiça tem sido rigorosa com quem comparece sem preparo. Ou seja, o ambiente ficou mais ágil e mais exigente ao mesmo tempo. Quem não se profissionaliza, fica para trás.

  1. O futuro da representação corporativa em juízo

Vejo um futuro híbrido, que mistura tecnologia e humanidade. A tecnologia vai cuidar da logística e do match entre preposto certo, agenda, dados do processo e indicadores de desempenho, mas o papel humano na audiência é insubstituível: empatia, leitura da situação, responsabilidade. O que muda é o perfil: o preposto do futuro será especialista, certificado e avaliado por dados, não um funcionário improvisado. É exatamente para esse futuro que a Preppo foi construída: mais de 4.000 prepostos treinados e certificados gratuitamente, cobertura em todo o país, operação que entrega seguro de responsabilidade civil e traz um impacto social, por isso o coração na nossa logo. A automação não vai eliminar o preposto, vai eliminar a empresa que faz entrega insegura e o preposto amador.

Na visão da Dra. Lucyanna Lima Lopes, o preposto deixou de ser um detalhe operacional e passou a ocupar o centro da estratégia de risco das empresas na Justiça do Trabalho. Entre a pena de confissão, a exigência tecnológica das audiências virtuais e a ausência de padronização nos treinamentos internos, a mensagem é clara: representar a empresa em juízo exige preparo técnico, comportamental e contínuo, não um improviso de última hora. A profissionalização dessa função, sustentada por dados e especialização, aparece como o caminho para transformar o que hoje é um ponto vulnerável em uma vantagem de gestão.

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR DE: